Pinturas

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LEDA CATUNDA

QUATRO LAGOS II

Acrílica sobre voile, veludo e tecido

2006

184 x 156 cm

Acervo

Biografia
Leda Catunda Serra (São Paulo SP 1961). Pintora e gravadora. Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, entre 1980 e 1984, onde é aluna, entre outros, de Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003), Nelson Leirner (1932) e Walter Zanini (1925). A partir de 1986, leciona na Faap e em seu ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior. Recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas/Distrito Federal, na categoria aquisição, em 1990. Em 2003, defende doutorado em artes, com o trabalho Poética da Maciez: Pinturas e Objetos Poéticos, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com orientação de Julio Plaza. Tem ainda relevante atuação docente, lecionando pintura e desenho no curso de artes plásticas da Faculdade Santa Marcelina - FASM, em São Paulo, entre 1998 e 2005. Em 1998, é publicado o livro Leda Catunda, de autoria de Tadeu Chiarelli, pela editora Cosac & Naify.

Comentário Crítico
Leda Catunda estuda artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap em São Paulo, de 1980 a 1984. Lá, assiste às aulas de Nelson Leirner (1932), Regina Silveira (1939), Julio Plaza (1938 - 2003) e Walter Zanini (1925). Os professores aproximam-na de discussões sobre arte conceitual, o estatuto da obra, sua mercantilização e o uso de meios tecnológicos de produção. Na mesma época, interessa-se pela pintura neo-expressionista produzida na Europa e nos Estados Unidos por artistas como Julian Schnabel (1951), Sandro Chia (1946) e Francesco Clemente (1952). Segundo o crítico de arte Tadeu Chiarelli, em suas primeiras obras, Leda trabalha com questões críticas do debate conceitual, como os interesses plásticos dos neo-expressionistas.1 Em 1982, faz litografias em que se apropria de imagens televisivas, procedimento familiar à geração de seus professores. Ao mesmo tempo, pinta quadros realistas.

No ano seguinte, a pintura passa a ser central em sua poética. Trabalha sobre tecidos estampados, cobrindo as figuras com cor. Continua trabalhando sobre superfícies estampadas. Ao invés de cobrir as imagens, sua pintura as realça, como em Jaguar (1984). Realiza figurações a partir do agrupamento de objetos e suportes inusitados. Junta tecidos recortados, costura-os e sobrepõe elementos pouco usuais à pintura. As obras ficam entre a pintura e o objeto. A artista lida também com motivos figurativos presentes na cultura popular.

Paulatinamente, o interesse de seu trabalho migra do tema da figuração para as questões estruturais. Chiarelli, afirma que "em 1989 (...) Leda tenta redimensionar a sua produção, atentando mais precisamente para os seus aspectos visuais e plásticos, buscando com ímpeto desvencilhar-se do caráter anedótico e fortemente narrativo que caracteriza o seu trabalho anterior".2 Não abandona a figura; no entanto, concentra-se nas relações formais e na estruturação da tela a partir do uso de materiais não convencionais, como meias e camisetas.

Na década de 1990, aprofunda o interesse pela especificidade dos materiais com que trabalha. Cria superfícies pictóricas a partir da sobreposição de tecidos e outros meios planos e coloridos. Trabalha com elementos diferentes, como tule, veludo, plástico, acolchoados, lona, couro e fórmica. O modo de agrupá-los por vezes é abstrato. Em outros trabalhos, como os relevos, a composição guarda familiaridade com imagens recorrentes. Partem de motivos simples, como o desenho da lua, insetos, gotas e partes do corpo. Nesses trabalhos, feitos na segunda metade da década de 1990, aproxima-se das esculturas de Claes Oldenburg (1929).

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